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Tcharãn

em breve este diário de viagem será transformado e transportado para outro projeto.


De manhã foi Free Walking Tour na cidade. À tarde, foi FWT na Cracóvia judia. Uma parte da cidade foi transformada em gueto no começo da Segunda Guerra Mundial, surgindo um bairro super populado de pessoas com futuro incógnito. Nós que já sabemos o que a elas se sucedeu resta observar o monumento. As cadeiras fazem alusão aos momentos em que uma os judeus se enfileiravam em frente aos oficias sentados para receberem permissão ou não para trabalhar. Não lembro se nessa praça era onde isso acontecia ou onde eles jogavam todos os pertences dos judeus antes de levá-los aos campos de concentração. Provavelmente os dois.

A melhor comida de rua


Zapiekanka é escrito com um pão crocante, base de queijo e espinafre e tudo que há de bom em cima (é fácil, pede apenas “tudo” em cima). Não tem como descrever. Umas das melhores memórias de Kraków. Vai pra praça Plac Nowy da parte judia da cidade e se lambuze.

(galera que fez Free Walking Tour comigo)


Era a primeira vez guiando um tour pela cidade e a moça fez bem, aprendi. Tudo bem que uma coisa é ouvir na hora e outra é tentar escrever de modo humanamente inteligível no bloquinho. Aqui transcrevo apenas o que anotei, sem pesquisa exterior. Vamo lá:

Cracóvia (que se pronuncia Crácuv e se escreve Kraków) foi fundada em 966. Coisas que aconteciam na Europa enquanto aqui índio se lambuzava de manga madura. Não quero dizer isso em termos de depreciação, mas mais em relação ao legado para o futuro. Construções, quadros, livros ou o que quer que seja são testemunhas culturais de séculos passados no Velho Mundo, ao passo que no Brasil não. Por um lado, os europeus que aqui aportaram não deixaram nenhum traço indígena, e por outro a produção material nativa não era realmente para durar. A produção intangível é que poderia ter durado, mas de novo; não.

Trezentos anos depois, Polônia era um país, graças à conquista de poloneses sobre tchecos. Reza a lenda que era realizado um teste para garantir a polacidade das pessoas: elas precisam falar corretamente as palavras para lentilha, leite, moinho e uma outra. Quando se passa pela praça principal, não é difícil imaginá-la lotada de pequenas tendas para comércio. Inclusive, existe um Museu Subterrâneo que mostra como era a praça metros mais baixa. Cheguei, porém, tarde demais: é tão popular que é preciso reservar um lugar um dia antes, e só tinha um horário para o dia seguinte à noite, quando não podia.

Algo que se deve saber: existe um lugar chamado (hoje hotel) Boner Palace, no local onde a rua Sw. Jana se encontra com a praça. Aparentemente, no site do FWT fala que os guias explicam o porquê do nome do hotel além de ser o nome próprio da família, mas provavelmente eu fiquei entretida demais para anotar.

No século 16, o reinado era mais como democracia. As decisões eram feitas por 15% da realeza (e apenas quando consenso), enquanto que na França o índice era de apenas 2%. No século seguinte, houve guerra entre os vizinhos e Polônia perdeu um terço do povo. O século 18 está anotado como “caca” no meu requintado bloquinho, o que não deve ter significado nada bom. No século 19 não existe Polônia tal qual um país e Cracóvia era parte da Áustria. Isso porque a cidade se assemelhava à francesa Carcassone e o império austríaco assim era mais tolerando com as pessoas, deixando-as manter a identidade polaca. Daí vem uma frase no bloquinho “Felix wanted to preserve – morality + wind would come and make people sick and push up skirts”. Freud?

E olha só: desde não sei quando e toda hora um carinha sobe na igreja da praça principal  e toca uma melodia. De novo, reza a lenda que no século 13 um invasor mongol atingiu a garganta do guarda da torre, de repente. Por isso ela termina hoje em dia do nada. Romântico que nem toda história, e falso como a maioria. Foi um jornalista americanos que inventou lá pelos 1920s com um amigo.

Tem um cara chamado Adamowi em estátua na praça. Ele nasceu na Bielorrússia, a mãe é da Ucrânia, mas lutou pela Polônia. De tão querido, após a destruição da estátua pelos nazistas, as pessoas não caminhavam por cima de onde ela antes estava – deixavam as marcas na neve em volta dela. Apesar disso, a cidade foi poupada durante a 2. Guerra Mundial, porque Hitler havia escolhido-a como capital do condado de Governo Geral.


Nada como achar uma cabeça gigante na praça.  É de um artista polonês que tinha fugido do país durante o comunismo. Em 2005, trouxe uma grande exibição de estátuas na praça e doaria uma delas à cidade. Tchans!

Krakow surpreendente

Não imaginei que fosse gostar tanto dessa cidade polonesa. Já o hostel, Atlantis, era super arrumado, não tão longe e por apenas 6 euros o dia (por meio do hostelbookers.com). Mal cheguei, me arrumei e fui para o Free Walking Tour. Depois explico mais sobre a ideia. Por enquanto ficam algumas facetas Krakowianas.

(parêntesis)

Me despedi do americano. Não fiquei triste, a gente ia se ver de novo na vida. Ele virou um bróder daora. Do tipo que não precisa ter nada marcado ou fazer nada de especial e ainda assim aproveitar a companhia. E eventualmente algo de espeical acontecia, também.

Sabendo que tinha mandado um email cancelando a noite pro hostel errado, cheguei na estação de trem uma hora e meia antes do trem das 20h. No guichê, me falaram que era 83 euros a passagem pra Cracóvia. Boquiaberta. Como assim?! Ah, só pode usar a carteirinha de estudante um dia antes da viagem. Em nenhum isso tava escrito, ninguém nunca tinha me falado.  Comprei o filha da puta. Sentei num banco do outro lado e me pus a chorar. Furiosamente. Nunca tinha me caído tão fortemente como dói gastar dinheiros dos pais. E ainda assim tão estupidamente. Repeti ‘Fucking Hungary’ um milhão de vezes. Não dar a single fuck, a gente vê por aqui. Estava com tanta raiva que poderia ter fritado a pomba só com o olhar. Voltei para o guichê para entender aquela merda e era isso mesmo. Me fudi.

No trem descobri que ainda precisava pagar mais 10 euros caso quisesse uma cama. É óbvio que não avisaram no guichê. Dormir sentada não rolava; ia chegar às 7h e queria aproveitar o dia. Como não bastasse, estava suada e nojenta, deitei na cama, tinha uns americanos mais na deles. Havia seis camas (duas colunas de três) na cabine. Fiquei na do meio. Fui pegar o celular para colocar alarme. Não achei. Lembrei que tinha deixado embaixo do travesseiro para não acontecer de deixar de ouvir o alarme para o check out, que nem tinha acontecido naquela manhã. Estava terminando o espaço para irritação.

Me mudei para a cama do outro lado, que recebia um vento da janela. E, como está escrito no meu bloquinho: “De uma e de repente só vez, que sensação maravilhosa. O vento forte retirava todo o calor indesejado de mim, deitada numa cama surpreendentemente boa e com a cara na janela. Man, so nice. Me toquei: ‘Estou por mim, num trem. Viajando. Ah'”

Epitáfio de Budapeste

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